The Witch | A Bruxa | Crítica: Nós devemos reaprender a assistir filmes de terror

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Esse fim de semana fui convidado a assistir The Witch (A Bruxa, em português) do diretor iniciante em longas Roger Eggers, fiquei extremamente envolvido pelo clima que o filme criou, pelos diálogos (que mesmo com meu inglês precisei do auxílio das legendas) e pela atuação dos atores, quando no fim do filme alguém grita do fundo do cinema “Quero meu dinheiro de volta“… foi essa frase que me incentivou a voltar a dar as caras nas críticas e fazer mais do que um review, mas levantar uma questão importante: nós esquecemos do que o terror se trata?

The Witch Sinopse

Banidos da plantação onde viviam depois de um julgamento, os puritanos William (Ralph Ineson) e Katherine (Kate Dickie) partem em direção ao interior inóspito da região levando seus filhos e poucos pertences. A clareira às margens de uma floresta onde se estabelecem, porém, não demora a dar sinais de que há uma força sombria trabalhando no local, especialmente quando a filha mais velha, Thomasin (Anya Taylor-Joy), perde o bebê da família inexplicavelmente. Outros sinais vêm a seguir, envolvendo os gêmeos Mercy (Ellie Grainger) e Jonas (Lucas Dawson), além do filho do meio Caleb (Harvey Scrimshaw), determinado a ajudar seus pais durante sua provação.

The Witch Crítica

Produzido pela brasileira RT Features, o filme acompanha uma família de colonos ingleses se estabelecendo na Nova Inglaterra, nos EUA, no século XVII. Eggers, que já trabalhava anteriormente com teatro, cria um ambiente extremamente incrível em The Witch. Uma fotografia escura, cenas que simplesmente não contam com nenhum apoio sonoro, uma casa fechada e iluminada apenas por velas nos deixa dentro de um ambiente extremamente claustrofóbico que lembra muito a sensação que enfrentamos em O Iluminado, do mestre Stanley Kubrick. Quando temos a presença de uma trilha sonora contamos com músicas cruas que dão mais vida e terror para as cenas.

the witch critica

O filme tem uma puxada histórica muito forte como eles explicam nos créditos, o inglês utilizado é muito arcaico e torna a percepção do filme um pouco difícil em alguns momentos, mas é exatamente essa percepção que dá a magia para The Witch, explorando os limites entre o suspense psicológico e o terror puro. Sem sombra de dúvidas, Egger está na minha lista de um novo promissos cineastra no gênero do terror, a combinação de elementos, cortes de cenas, composição de atuação combinada com um ótimo figurino… o filme não consegue ser criticado de forma isolada, somente um conjunto como uma ópera que toca em perfeita sintonia em todas as singularidades.

Nós devemos reaprender a assistir filmes de terror

Agora, infelizmente, não posso deixar de falar desse acontecimento tão triste que enfrentei no cinema.  Um fato que me fez questionar sobre o que é definido o terror dentro dos filmes hoje em dia. Será que ficamos tão acalorados pela fórmula simples da combinação “sem som, som agudo, imagem assustadora aparece, grito, fim” que esquecemos de prestigiar o verdadeiro terror psicológico?

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Se me atacar eu vou atacar

Quando cheguei em casa fiz questão de procurar o que estavam comentando sobre o filme e sempre me deparava com comentaristas que não possuem percepção da arte do cinema com “o terror não é terror”, “não é assustador”, “não tem graça”; ouvir (ler) esse tipo de coisa de quem deveria , em tese, ser crítico no assunto chega não somente a ser triste, mas também deplorável e nojento.

Será que nós esquecemos que a base do terror é o medo e que nem sempre o medo está relacionado sobre levarmos sustos ou termos medo de ir no banheiro sozinhos? Será que nós esquecemos do terror psiscológico, daqueles construídos nas atmosferas de Hitchcock onde o medo explorado está em nossos poros e essência, na nossa alma e angústia, e não em sustos provocados por qualquer imbecil com uma câmera na mão? Não digo que os filmes ao estilo sustos não possuam qualidade apesar de eu achar isso, mas sim que antes de reclamarmos sobre alguma coisa devemos refletir como estamos nos sentindo após o filme. Quando você é embalado por um ambiente de terror e a escuridão do filme te abraça é quando o filme de terror foi construído. Não quando sua namoradinha dá um gritinho no cinema para você poder pegar nos peitos dela de uma forma sutil.

Essa mensagem final não está somente relacionado a The Witch, mas sim em defesa do estilo de quem ainda sabe o que significa terror e que é silenciado pela ignorância.

E você, o que achou do filme? Deixe sua nota e seus comentários 😉

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