Papo com Satty do Pense Geek sobre o mundo cosplay e problematizações do mundo geek e otaku

Nós batemos um papo com a Mariana, mais conhecida como Satty do canal do YouTube Pense Geek, com 21 anos, leonina, estudante de direito e residente em São Paulo, Satty fala no seu canal sobre o mundo Geek, sua vida pessoal, bate papo com os assinante com coisas sérias como a depressão, faz review de games, rankings mensais além de curiosidades sobre a mídia geek em geral. O melhor do Pense Geek é conseguir se manter longe dos clichês geeks mesmo lidando com assuntos que são abordados por estes, sempre mantendo o bom o humor e a ótima qualidade dos vídeos. Passando da marca de 500 mil assinantes, além de youtuber, Satty gosta de passar o tempo livre vendo séries e lendo; mesmo ela achando que é uma resposta meio clichê para a pergunta é realmente algo que ela gosta de fazer “eu gosto muito de ver series, de filmes, ler livros e quadrinhos, querendo ou não parte do que eu levo pro canal são meus hobbies, porque não vale a pena fazer um canal de algo que você não curte de algo que você não vai se divertir, então eu sempre prestei muito atenção pra fazer algo que eu me divertiria“.

Satty | Foto via reprodução: https://www.instagram.com/_satty/ | Fotógrafo: https://www.instagram.com/andreylourenco/
Satty | Foto via reprodução: instagram.com/_satty/ | Fotógrafo: instagram.com/andreylourenco/

Para quem lembra tivemos um pequeno problema com o Programa Pânico que foi até a Comic Con Experience de 2015, um dos atuais maiores eventos voltados a cultura nerd e geek, e dentre vários desrespeitos aos participantes também lamberam uma cosplayer, ao perguntamos sobre a opinião do assunto para Satty ela se indignou

Foi o cúmulo, se você não é daqui, se você não leu a notícia, você não acredita que isso aconteceu! […] Quando eu me pronunciei sobre isso no Twitter falando que isso é puta de um absurdo e tudo mais teve gente falando: “Ah! Mas é o pessoal do Pânico você não pode esperar muita coisa” ai assim ok eu não tenho que esperar muito coisa de ninguém, (mas) eles podiam ser o Pânico, eles podiam ser a puta que pariu, mas eles não tem direito de pegar e lamber ninguém, não precisa ser cosplayer! Eles não tem direito de chegar em uma pessoa no meio de uma entrevista e lamber, se tem gente que leva numa boa são pessoas diferentes, as vezes teria gente que se submeteriam a isso e não teriam problema nenhum com isso, mas a partir do momento que ela tem e ela não gostou acabou, acabou ai, e eu acho que antes disso você tem que pergunta. Nos Estados Unidos eles estão com uma campanha super forte de “Cosplay não é consentimento” então antes de você encostar em alguém você pode falar assim: “eu posso encostar em você, eu posso tira um foto fazendo isso com você, ou etc. Você está ok com isso?”.

Satty hoje é uma das YouTubers femininas mais influentes no mundo geek e, consequentemente, com a fama na internet acabam vindo alguns problemas como fãs que tentam tirar suas fotos enquanto está no banheiro (sim, isso aconteceu!) ou caso de pessoas que não respeitam a individualidade e momento íntimos

Teve uma vez que eu tive infecção alimentar vindo num voo de Fortaleza para São Paulo, eram 8 horas de voo, porque teve escala ainda, e eu estava vomitando a minha vida […], no segundo voo de não sei onde pra São Paulo, eu estava indo no meio do corredor e comecei a vomitar direto, não estava parando, estava a cena do exorcista (risos), nisso chegou uma pessoa que estava sentada enquanto eu estava vomitando virou e disse: “Satty posso tirar uma foto” e minha vontade era virar e responder “eu vou vomitar na cara da pessoa”, na época o Guilherme estava comigo e disse que eu estava passando mal e não era o momento. Quando chegamos em São Paulo ela nem tirou a foto, acho que ela ficou com pena pois eu fui retirada de cadeira de rodas, eu estava muito mal, foi feio mesmo.

Como todos sabemos infelizmente enfrentamos algumas dificuldades no mundo geek e otaku com as minorias e racismos, prova disso foi a necessidade da hashtag #29daysofblackcosplay que comentamos anteriormente aqui no nosso portal, “começaram a espalhar pro colégio que eu era lésbica porque eu gostava de vídeo game“, disse Satty ao perguntarmos sobre o assunto do machismo no mundo geek, “porque eu gostava de coisa de homem, então nos meus 3 anos de colegial eu fui sapatão porque eu gosto de vídeo game (risos).

Hoje já mais de metade dos gamers em pesquisa são mulheres, então isso vem sendo desconstruído, mas é aquilo sempre vai ter as suas maçãs podres sabe e sempre vai ter gente que não importa você discutir, bater boca e argumentar a pessoa sempre vai achar que vai estar certa e a minha opinião sobre isso para as pessoas é “Bicha melhore”

Satty com cosplay de Zelda | Foto via reprodução: https://www.instagram.com/_satty/
Satty com cosplay de Zelda | Foto via reprodução: https://www.instagram.com/_satty/

Sobre as rixas que acontecem recentemente entre cosplayers que fazem seus cosplays por hobbie e os que fazem por profissão, Satty também compartilha de nossa mesma opinião que não importa o seu objetivo, mas sim fazer aquilo que gosta e que não tem problema ganhar dinheiro fazendo isso, “se você é otaku das antigas e lembra da Kipi uma cosplayer japonesa, que na verdade ela é uma modelo cosplay e ela ganha a vida com isso, muita gente ficava com essa coisa de ela é modelo , ela não gosta, ela não faz personagem que ela gosta e nã nã nã… bicha melhore“, ela continua, “eu acho que cada um faz o que quer da sua vida e é muito assim, por exemplo, se for pegar o eu faço por hobbie ou eu faço por dinheiro, tem Youtuber que é assim, pois Youtube virou um meio comercial, então que tal unir ambos se a pessoa gostar muito do que está fazendo e quiser tirar dinheiro disso?“.

Essa é a minha opinião cada um deveria ser livre pra fazer o que quiser e o que não quiser.

Se você ainda não conhece o canal Pense Geek não perca tempo! Se inscreva no canal da Satty e confira esse trabalho maravilhoso que ela faz com tanto carinho e amor, “se digamos não virou, (que) daqui a 10 anos o meu canal decaiu eu não estou tirando mais nada com ele, eu super faria, seguiria a área (de direito) tranquilamente, gosto e vou terminar a faculdade, quero prestar a OB, quero fazer tudo direitinho e eu vejo o canal como algo que mesmo se não virar eu gostaria de fazer pelo menos um vídeo por semana, porque eu tenho um carinho muito grande pelas minhas redes sociais que é um documentário da sua vida“.

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