Poderia ser completo, mas foi somente 3% | Review

Mesmo com uma boa trilha sonora, fotografia, picos de atuação e produção eu ainda me pergunto: seriam essas as qualidades de 3% ou elas se destacaram porque o conjunto em si é ruim?
43%
Tenta, mas não consegue

3% Crítica

Mesmo com uma boa trilha sonora, fotografia, picos de atuação e produção eu ainda me pergunto: seriam essas as qualidades de 3% ou elas se destacaram porque o conjunto em si é ruim?

  • Direção
  • Atuação
  • Roteiro
  • Trilha Sonora
  • Fotografia
  • Produção

Quando 3% foi anunciado foi um grande alvoroço, finalmente um projeto engavetado durante tanto tempo foi abraçado pela Netflix anunciando a primeira produção da gigante multinacional no território tupiniquim. Não por menos, não é todo dia que vemos uma grande empresa americana incentivando a produção nacional e, independe dos resultados alcançados em âmbito nacional ou internacional, espera-se este investimento tanto na série com promessa de melhoras quando em outras produções, torço pela segunda opção.

3% Crítica

A série criada por Pedro Aguilera, roteirista também do filme de gosto duvidoso TOC – Transtornada Obsessiva Compulsiva (2017), apresenta seus pontos altos em seu universo pois tratando-se de qualidade poderia colocar-se entre o inferior para intermediário. Com uma ótima proposta a série está disponível desde 25 de Novembro de 2016 para os assinantes da Netflix, sem sombra de dúvida os episódios que podem ser considerados “assistiveis” são os dirigidos pelo César Charlone que carregou um peso morto de uma equipe de atores de baixa qualidade técnica.

Não obstante ao elenco mal construído e dirigido somos recepcionados com uma onda de furos de roteiros, acontecimentos sem explicações lógicas e personagens mal construídos e rasos. Embalando a série tem uma trilha sonora boa com fotografias aceitáveis, nada de muito genial, mas nada assustador que dê vontade de se jogar embaixo do metrô cheio da linha vermelha.

3% Crítica

Infelizmente a série peca pelos mesmo fatores de demais séries produzidas fora do Brasil e que possuem grande receptividade do público, como a construção de personagens de qualidade inferior como Once Upon a Time, a falta de profundidade e consistência de Breaking Bad e a atuação digna de Óscar de melhor ator da Malhação de Arrow. 3%, no sentido produção e atuação, é uma junção de tudo de ruim que existe do lado de lá.

Ezequiel, interpretado por João Miguel, é com certeza um dos personagens que mais deixa a desejar ao lado de Michele, interpretada por Bianca Comparato. Já vimos o rosto desses atores em outros filmes, João em Xingu, Gonzaga e Éden; Bianca em Anjos do Sol e Somos Tão Jovens; filmes esses que os atores se saíram de forma mediana, demonstrando o problema da direção e de receberem boas falas na série.

Em destaques positivos na atuação e que conseguiram captar as cenas e essência das personagens temos a Vaneza Oliveira como Joana e a participação especial da Mel Fronckowiak como Júlia. A direção é tão precária que até atrizes de gabarito e experiência como Zezé Motta conseguem se passar por vozes sintéticas. Falas mal elaboradas e executadas de forma excessivamente perfeita desumaniza os personagens e até a atuação de gráficos animados do X-Box conseguem convencer mais o telespectador.

3% Crítica

3% prometia ser uma Ficção Científica, mas atinge seu ponto máximo quando isso parece ser deixado de canto. A partir de um ponto da série a ideia de ficção e utopia parecem se perder dentro de cortes das histórias paralelas das personagens que não conseguem serem conectadas com o restante da história, os acontecimentos rápidos e poucos surpreendentes mais tão sono do que transformam o conteúdo em relevante e interessante; quando a história torna-se em si um conto de infanto-juvenil escrito para pré-adolescentes é quando a série consegue tornar-se minimamente consistente, ou foi o ponto do aparecimento da Mel Fronckowiak que deu um toque de qualidade no contexto fraco e ludibriado de ficão científica.

Os desafios seletivos são fracos e isso desmonta e desestrutura toda a narrativa, tem muito RH aplicando desafios muitos mais difíceis que “o processo” e é fantástico saber como para fazer parte dos 3% você precisa passar por uma entrevista, montar 9 cubos, escolher um eliminado, interpretar uma cena e puxar alavancas; mas considerarei essas dicas para o dia que quiser montar uma creche elitista. Combinando desafios estapafúrdios com uma direção “mais ou menos” eles conseguiram produzir as cenas que deveriam ser as principais de uma forma que ocupassem um segundo plano cansativo e entediante.

Mesmo com uma boa trilha sonora, fotografia, picos de atuação e produção eu ainda me pergunto: seriam essas as qualidades de 3% ou elas se destacaram porque o conjunto em si é ruim?

O último episódio deixa uma promessa para uma segunda temporada mais animada, porém espero que eles cortem essa ideia de “processo” e foquem mais no contexto do universo criado que oferece muitas opções de explorações e melhorias.

No processo seletivo de 3%: “nós entraremos em contato, obrigado pelo interesse pela vaga.”

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  • Bruno Oliveira

    Terrível a crítica. Gostei da série, dez vezes melhor que QUALUQER OUTRO filme/série nacional Nós só fazemos comédia geralmente, ficção científica nesse nível foi a primeira vez que vi.

    De fato os diálogos são meio irreais porque em geral são articulados de forma muito perfeita/ensaiada., mas fora isso não vi muito mais problemas.

    Mas quem gosta de “Once Upon a Time” não vai gostar dessa série mesmo. Once Upon a Time dá sono e vontade de parar de assistir sempre que vc termina um novo episódio, de tão sem graça e ridículas as situações e interações entre os “contos de fadas vivos”. Só consegui assistir a primeira temporada. Enjoou.

    Breaking Bad é 10, mas se vc comparar ela é altamente valorizada em comparação com quase qualquer outra série. Tentar comparar um clássico com uma primeira tentativa tupiniquim de fazer sci-fi é tão injusto quanto a divisão social da série.