Crítica | O Pequeno Príncipe, a obra prima e a mediocridade andam de mãos dadas

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O Pequeno Príncipe © Paris Filmes

Título: O Pequeno Príncipe (The Little Prince)
Distribuição: Paris Filmes
Lançamento (Brasil): 20 de agosto de 2015
Direção: Mark Osborne
Gênero: Animação
País de Origem: França
Idioma Original: Francês
Duração: 1h46m

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A primeira vez que li a sinopse de O Pequeno Príncipe eu pensei que Mark Osborne não conseguiria trabalhar tão bem paralelamente a história original do livro Le Petit Prince de Antoine de Saint-Exupéry com uma história totalmente nova. Tenho que admitir que eu me enganei com esse pré-julgamento, o paralelo das duas versões é feito de uma forma equilibrada com harmonia e maestria, apesar de isso quebrar a emoção do filme em alguns breves momentos. Separarei os meus comentários em duas partes que defino como Ato 1 e Ato 2, o ato 2 começa aproximadamente na metade do longa. O motivo: o filme começa deixando um gosto de quero mais na boca, com uma trilha sonora perfeita e uma animação maravilhosa, combinando também com personagens carismáticos e toda a complexidade e beleza de Saint-Exupéry… o que muda completamente depois da metade do filme, transformando o gosto de quero mais em cinzas amargas na minha boca. Confira os aspectos individuais do filme e as considerações finais do crítico na nota geral.

critica o pequeno principe
Le Petit Prince © Paris Filmes

Sinopse:

“Uma garota acaba de se mudar com a mãe, uma controladora obsessiva, que deseja definir antecipadamente todos os passos da filha para que ela seja aprovada em uma escola conceituada. Entretanto, um acidente provocado por seu vizinho faz com que a hélice de um avião abra um enorme buraco em sua casa. Curiosa em saber como o objeto parou ali, ela decide investigar. Logo conhece e se torna amiga de seu novo vizinho, um senhor que lhe conta a história de um pequeno príncipe que vive em um asteroide com sua rosa e, um dia, encontrou um aviador perdido no deserto em plena Terra.”

História/Enredo: (4/10)

O paralelo criado entre a obra original e uma história nova é feita de forma simples, porém efetiva. Nada digno de um grande prêmio de genialidade, porém convence e as duas versões encaixam entre si; na segunda metade do filme, o qual parece ser outro filme completamente diferente da primeira metade, a adaptação pode ser considerada, no mínimo, ruim. Se fossemos considerar individualmente eu daria para o ato 1 a nota 8 e para o segunda 5, tendo uma nota média de 6,5.

Arte: (9/10)

Deslumbrante, não tem outra forma de definir a arte gráfica de O Pequeno Príncipe, basicamente o filme adota três estilos distintos de animação e consegue harmonizar isso perfeitamente, criando todo o clímax necessário e as emoções desejadas de acordo com cada um dos estilos. A direção de arte do filme é simplesmente fantástica, daqueles que você tem vontade de rever somente para admirar as incríveis produções artísticas dos conjuntos.

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Le Petit Prince © Paris Filmes

 

Personagens: (6,5/10)

Os personagens são muito bons, “a mãe” consegue passar perfeitamente sua personalidade que teria tudo para dar errado: uma pessoa meticulosa e obcecada por arrumação, o que O Pequeno Principe consegue virar a mesa e transformar um traço tão “aff que chato” em um traço divertido e que te faz rir. Todos demais personagens também se destacam em todas partes do filme e conseguem transmitir suas personalidades sem dificuldades (e nomes). O aviador é um dos personagens mais problemáticas que pesaram nessa nota, pois para ser um dos personagens mais importantes da história merecia uma atenção maior.

Trilha sonora: (9/10)

Não consegui dar uma nota menor do que essa. São músicas que ainda estão frescas em minha cabeça e possuem uma beleza e singularidade que se encaixam perfeitamente nas cenas. Nos primeiros 10 segundos do filme a animação me chamou muita a atenção, porém a beleza da trilha sonora sobrepôs e destacou-se. Quero todas as músicas para mim para poder escutá-las todos os dias. Tiro o meu chapéu tanto para as composições instrumentais de Hans Zimmer quando a voz maravilhosa nas músicas da Camille.

 

Nota geral: (7,1/10)

Realmente lamento pelo trabalho que foi desenvolvido nesse “segundo filme” que existe dentro de O Pequeno Príncipe, a primeira metade seria um filme que eu daria 9,5 sem pensar duas vezes, um trabalho bem desenvolvido e profundo, belo e artístico, divertido e emocionante, uma verdadeira obra de arte. Porém, nos deparamos com essa segunda linha paralela que me soou mais como uma versão pós-apocalíptica de pequeno príncipe, pobre em qualidade e que somente não fica devendo nas duas características mais marcantes do filme que é a trilha e a animação; e até mesmo esta última consegue decair nessa segunda metade, uma versão que eu daria 4,5 sendo um bom compadre do Mark Osborne (ou talvez por piedade e pela tentativa fracassada), chegamos assim em sua nota média 7. Contudo, ainda é um filme que eu recomendo assistirem, porém é de longe um que eu indico como melhor. Quer aproveitar e sair com uma boa impressão do cinema? Assista somente até a metade.

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