Crítica | Linda de Morrer servindo um humor meia boca

linda de morrer filmeTítulo: Linda de Morrer
Gênero: Comédia
Distribuição: Fox Film
País de origem: Brasil
Data de lançamento (BR): 20/08/2015
Diretor: Cris D’Amato
Roteiro: Meg LeFauve, Josh Cooley e Pete Docte
Idioma original: Português
Duração: 115m

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Cris D’Amato, diretora do filme, já possui uma certa experiência no cenário do humor nacional com o longa estrelado pela Giovanna Antonelli, S.O.S.: Mulheres ao Mar. Em Linda de Morrer contamos com uma bela equipe de atores com Glória Pires no papel principal e no elenco de suporte temos o galã Ângelo Paes Leme, sem contar a participação da eterna e carismática Susana Vieira. No roteiro temos a participação de Carolina Castro (Se Eu Fosse Você) e Marcelo Saback (S.O.S. – Mulheres ao Mar, Se Eu Fosse Você, De Pernas pro Ar, Loucas pra Casar). Com personagens carismáticos o filme tinha tudo para funcionar, porém, não foi muito bem o que aconteceu. Para criticar e analisar um filme sempre temos que ter em mente para qual fim ele foi realizado, de nada adianta o julgamento de um filme de humor russo se compararmos ao besteirol americano, por exemplo. Linda de Morrer promete entregar ótimas piadas com o trailer, porém, infelizmente, as piadas do trailer são as únicas boas do filme como um todo.

Sinopse:

A cirurgiã plástica Paula (Glória Pires) aplica em si mesma uma fórmula experimental para eliminar celulites e morre. Com a ajuda de um amigo psicólogo/médium, ela volta à Terra e tenta evitar que a gananciosa sócia coloque o nocivo produto no mercado. Confira o trailer de Linda de Morrer:

Roteiro: (5/10)

Em uma análise substancial temos um roteiro que promete uma história excêntrica e inovadora, porém algumas falhas de realização, mesmo para um filme de comédia, merecem suas devidas atenções. Temos de separar o que é um humor onde fatos inesperados e impossíveis de acontecerem no mundo real surgirem nas telas de fatos ridículos como uma droga que é vendida nas farmácias sem antes da análise de um órgão governamental responsável. Falhas a parte, os diálogos são bem desenvolvidos e, em poucos momentos, o filme entrega boas sacadas e referências; porém acredito que tudo ficaria melhor e mais desenvolvido se a maioria das falas fossem desenvolvidas para o fim que o filme se origina: comédia, o que não acontece em muitos momentos com ganchos de histórias desnecessários para a essência do filme.

Os personagens possuem uma ótima construção de personalidade, tendo cada uma bem definida dentro de seu papel e “tocs”. Porém no decorrer da história suas personalidades acabam se perdendo e não merecendo sua devida atenção, onde personagens coadjuvantes poderiam ser muito mais bem desenvolvidos e trabalhados e servindo mais humor para os telespectadores.

Direção: (6/10)

A direção do filme não deixa a desejar no sentido desenvolvimento, todas as cenas são bem elaboradas e encaixadas. Porém por uma falha mútua com o roteiro a história se torna um pouco entendiante, com cenas e ganchos que poderiam ser facilmente cortados para serem substituídos por cenas com mais humor inteligente ou o maior desenvolvimento do que já foi apresentado. A história é linear e simples de ser trabalhada, o que facilita o trabalho da direção e esse aspecto salvou sua nota, porém é notória a falta de atenção da diretora com os personagens e atuação que poderiam ser infinitas vezes melhor.

Fotografia: (6/10)

Como padrão nacional dos últimos anos, a fotografia do filme é realmente muito boa. O trabalho artístico como um todo foi bem elaborado e pensado, a captura das cenas passam a sensação exatamente daquilo que elas tem que passar ao contrário da…

Trilha sonora/Efeitos Sonoros: (6/10)

Trilha Sonora, se por um lado as fotografias são ótimas, as trilhas e a sonoplastia parecem ter construída sem muito embasamento. As músicas não transmitem a emoção que as cenas desejam passar e quando o fazem são de forma morna, contudo, a seleção foi relativamente boa e por outro lado nada marcante.

Personagens: (1/10)

No mínimo decepcionante. Atrizes com nomes, gabaritos e talentos inumeráveis como Susana Vieira e Glória Pires conseguiram ficar apagadas no filme graças ao trabalho desenvolvido pela construção fraca dos personagens, com atores globais à la Malhação nos papeis principais o filme parece mais uma versão desenvolvida da novela das 6h. Os atores mais experientes poderiam brilhar muito mais, o personagem da Susana tinha tudo para ser um dos melhores personagens do filme inteiro se tivesse recebido o mínimo de falas engraçadas ou inteligentes, a personagem em si só conseguiu seu certo destaque por estarmos tratando de Susana Vieira, qualquer outra atriz teria sido facilmente destruída. Glória Pires não deve o seu auge da carreira nesse filme, a sua atuação não convenceu e ouvi poucas risadas no cinema com suas falas; talvez uma atriz especializada em humor conseguisse entregar humor mesmo com falas fracas, o que não foi o caso.

Mesmo com esses aspectos eu conseguiria dar 5 nessa nota do filme porque, mesmo com as falas engraçadas somente em alguns poucos momentos, ele conseguiu fazer rir e a cena da apresentadora de TV foi simplesmente hilária. Mas fica o desagrado com uma parte especial do elenco: os empregos. Tratar como a mulher, negra, pobre e gorda como algo beirando ao ridículo não foi nada delicado. Temos de saber separar as coisas, o cenário mudaria completamente se o filme em questão ridicularizasse todas as classes sociais, porém o humor com o elenco branco é inteligente, a mulher negra, pobre e gorda é ridícula, esfrega suas partes íntimas nas escadas e parece mais uma cadelo no cio. Se é para ridicularizar, seja um besteirol brasileiro e tenha todos personagens ridículos, isso seria engraçado, mas não trate as mulheres negras, gordas e pobres como ridículas e todo demais elenco como um humor cult, isso chegou a ser constrangedor e decepcionante.

Nota geral: (6/10)

Acabou todos os filmes no cinema? Não tem nada mais em cartaz para assistir? Nem mesmo uma animação independente feita em CG com papel crépon? Então eu recomendo que assista Linda de Morrer. Ou então, leve sua família inteira para assistir e sorteie alguém que descubra algo de significante.

O filme é quase uma comédia, quase um drama, quase um romance. E de tantos quases, ele acaba não sendo o essencial: engraçado. Personagens promissores com um trabalho fraco e é esse resultado que nós chegamos. Meu comentário final: Teria sido melhor ir ver o filme do Pelé.

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