Mulher NÃO é seu objeto e o cosplay não foi feito para SEUS desejos

Faz algumas semanas que estou esboçando essa coluna mentalmente, enquanto conversava com a Satty do Pense Geek (veja a entrevista que fizemos com ela aqui!) levantamos uma pauta muito importante: a objetificação do cosplay feminino e da mulher para os homens. Como ainda estamos no mês da mulher é uma pauta muito importante, não somente por ser Março, mas também para refletirmos melhor sobre a mulher dentro da sociedade e, neste artigo, sobre o espaço das meninas dentro do mundo cosplay, geek e otaku. Eu, como um homem pro-feminista, me vejo na mínima posição de levantar esta reflexão.

Já adianto que meu objetivo nesta coluna não é dar aula sobre o feminismo, mas faça um favor para a sociedade e se informe um pouco. Se não conhece os direitos da mulher pode até dar uma lida no Wikipedia ou ir mais a fundo como o Blogueiras Feministas.

Se você é homem e acha que cosplayers tem que serem “gostosas” para fazer cosplay, volte duas casas ou segure minha mão e reflita um pouquinho comigo.

Jessica Nigri, considerada "cosputa" | Foto via Reprodução
Jessica Nigri, considerada “cosputa” | Foto via Reprodução

Como sempre costumamos falar com referência ao nosso Guia do Mundo CosplayCosplay é a ARTE de se transformar em um personagem utilizando de maquiagem, interpretação, vestuário e demais técnicas exigidas pelo alter ego do artista ou do personagem que está interpretando. Mas, dentro do senso comum, acabamos nos deparando com alguns aspectos muito delicados como alguns termos pejorativos como cosputa. O machismo nasce a partir do momento que você acha que uma mulher exibir o próprio corpo é considerada como “puta” (e aliás, qual é o problema de ser puta?), que nos leva ao mesmo ponto tão defendido pelo feminismo: o corpo da mulher não é feito para os homens. Aliás, um short curto não foi feito para uma mulher andar livremente sem morrer de calor, mas sim para atrair os olhares masculinos… não.

Então até mesmo você, mulher, reflita antes de chamar uma cosplayer de cosputa porque automaticamente você está repetindo um discurso machista que se reflete contra você mesma!

Um caso que o mundo cosplay não esquecerá tão fácil foi quando o programa Pânico simplesmente resolveu que podia lamber uma cosplayer, a Myo Tsubasa, em um evento destinado ao público geek. Isso não é só falta de desrespeito, mas reforça mais ainda a sexualização que é gerada em cima das cosplayers.

cosplay mulher
Foto Produtoras Culturais do site Blogueiras Feministas | Foto do site Roque Pense

E então você pode estar pensando “mas é normal, existe fetiches em cima de personagens”, e eu te falo que tudo bem, você pode ter o fetiche em cima de personagens e você pode ter uma queda especial por alguma cosplayer e imaginar que ela é sua “waifu”. Mas isso não te dá o DIREITO de assediar alguém, não te dá o DIREITO de ir nos comentários das fotos e vomitar pelos dedos falando coisas como “como você é gostosa vou sonhar com você no banho” (sim, tem gente que faz isso).

Você sentir atração por mulheres é algo comum, mas acima de tudo: mulheres não foram feitas para seus objetos sexuais, cosplayers mulheres não ficaram horas fazendo seu cosplay para você ir tirar uma foto com ela e colocar a mão na bunda dela.

“Mas se a cosplayer quer respeito ela não pode fazer um cosplay que use muito decote, ou pior ainda, modificar a roupa do personagem para ficar mais sexy!”
Primeiro: mulheres não precisam “se dar ao respeito”, o respeito não é uma mão de via dupla.
Segundo: alguém, independente do sexo, querer se sentir bonito ou bonita não implica em momento NENHUM que ela quer ser assediada. Se uma cosplayer está usando decote é para ELA se sentir bem e não VOCÊ se sentir bem.

Yaya Han, cosplayer e modelo | Foto via Reprodução
Yaya Han, cosplayer e modelo | Foto via Reprodução

Por fim, mas não menos importante: se você acha que algum cosplay feminino não está “dentro dos seus padrões de beleza” e, se você não consegue desconstruir esse pensamento, pega a sua opinião, mentaliza ela bem forte na sua cabeça machista, guarda dentro do coração e tranca com sete chaves. Se uma cosplayer está feliz com seu cosplay é isso que importa, aliás, nenhuma mulher nasceu para ser perfeita, mas sim para ser livre para fazer o que quiser sem ser obrigada a lidar com opiniões sexualizadas.

A Cosplace como um dos principais sites dentro da cultura cosplay abre as portas para os empoderamentos, mulheres unam suas vozes e não se deixem serem silenciadas pelo machismo! Usem o decote e mostrem o corpo como quiserem!

Você já sofreu algum tipo de assédio? Conta pra gente, não deixe passar batido, a culpa NUNCA foi e NUNCA será sua por ser quem você é: FABULOSA 😉

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